LETRAMENTO DIGITAL DE PROFESSORES: O HIPERTEXTO COMO (NOVA) INTERFACE DA ESCRITA

Anais do III Congresso Latino-Americano de Formação de Professores de Línguas (III c l a f p l ) - 2010

LETRAMENTO DIGITAL DE PROFESSORES: O HIPERTEXTO COMO (NOVA) INTERFACE DA ESCRITA

Carlos Alberto de Oliveira (UNITAU)

RESUMO: Serão apresentadas considerações sobre o analfabetismo funcional e o analfabetismo digital funcional como fenômenos de exclusão social. Falar-se-á, a seguir, sobre o hipertexto, apresentando-o como uma (nova) interface da escrita, e que, pertencente ao escopo da linguagem digital, deve necessariamente fazer parte do letramento de professores, durante o seu processo de formação. Conclui-se com apresentação e comentários de resultados de um experimento que testou o nível de ‘habilidade e conhecimento’ de alunos e professores, com relação a essa (nova) linguagem midiática, ressaltando a necessidade do letramento digital em questão. 1. Introdução Conforme Oliveira e Azevedo (2007), a expressão “analfabeto funcional” designa aquele que “aprendeu a ler”, mas não é capaz de entender todas as sutilezas de um texto, sendo que esse analfabeto é resultante do processo (atual) de alfabetização no Brasil. Analfabetismo funcional, que, segundo Galvão (2007), já atinge a proporção de 49% de brasileiro idosos. E para incrementar a discussão sobre o assunto, surgiu o termo “letramento”, como um espécie de contraponto ao termo “alfabetização”, conforme Soares (2007a, 2007b, 2007c). Há, contudo, quem discorde da adoção desse novo termo, conforme diz Gadotti (2007):

Os defensores do termo “letramento” insistem que ele é mais amplo do que a alfabetização ou que eles são equivalentes. Emília Ferreiro nega-se a aceitar esse “retrocesso conceitual”. Em vez de se curvar a esse novo anglicismo, ela traduz literacy por “cultura escrita”, e não por letramento. Mas não se trata só de um retrocesso conceitual. Trata-se, lamentavelmente, de uma tentativa de esvaziar o caráter político da educação e da alfabetização, uma armadilha na qual muitos educadores e educadoras hoje estão caindo, atraídos e atraídas por uma argumentação que, à primeira vista, parece consistente.

Baseado nesse discussão, resume-se que: o analfabeto funcional é resultante de um processo restrito e tradicional de aprendizagem da leitura como a mera aquisição da competência da escrita, uma decodificação apenas; o letrado é resultante do processo de letramento, ou seja, estado ou condição de um indivíduo que não só sabe ler e escrever - não só é alfabetizado - mas também sabe (e tem prazer em) exercer as práticas sociais de leitura e de escrita que circulam na sociedade em que vive. Dessa forma, observa-se que o processo de alfabetização atual, ao gerar analfabetos funcionais, conserva e eterniza as estruturas que favorecem o processo de exclusão social. E, sob essa ótica, far-se-á um quadro comparativo da necessidade do letramento (cultura da

134

Made with FlippingBook - professional solution for displaying marketing and sales documents online