Banas Qualidade - Março - 2018

Editorial

Os desafios da indústria automotiva A indústria automotiva irá viver uma era de grande disrupção. Os combustíveis alternativos, os novos materiais leves e a tecnologia inovadora estão transformando o processo de fabricação, bem como os carros que estarão nas ruas nos próximos anos. Um fenômeno que irá acompanhar a uberização dos táxis será a lealdade por uma marca que vai se tornar uma coisa do passado. A nova geração de jovens vai exigir carros conectados cada vez mais. Quais os serviços, as redes e os dados, etc. que eles conseguirão acessar? Quais os aplicativos e as funções digitais têm o carro? Não vai adiantar querer vender apenas potência e peso. Muitos requisitos de Tecnologia da Informação (TI) serão obrigatórios em alguns países, como uma câmera digital traseira a fim de evitar acidentes em marchas a ré. Wi-Fi nos veículos também está no caminho para se tornar um padrão, sendo que 20% dos fabricantes de automóveis estão planejando fornecer pontos de acesso WLAN nos carros. Uma tendência irreversível: os veículos elétricos. O mercado de combustível alternativo chegará a US $ 614 bilhões em 2022. Na região da Ásia-Pacífico o mercado não para de crescer, especialmente na China. Em julho de 2016, a participação de mercado de veículos elétricos (VE) na China ultrapassou a barreira de 1%, até 1,1% de todas as vendas de automóveis novos. Embora isso não pareça muito, 1,1% significou 34 mil novos VE nas estradas chinesas em julho de 2016, um aumento de 188% em relação a junho de 2015. Entre 2010 e 2015, o número de estações de carregamento na China cresceu de 1.122 para 49.000. O país pretende construir 12.000 estações de carregamento centralizadas e 4,8 milhões de estações de cobrança provinciais até 2020, para atender a demanda prevista de 5 milhões de VE. Deve-se lembrar que uma estratégia de se ter estações de carregamento é essencial para a aceitação de VE. Já a busca por novos materiais aumenta cada vez mais. A Fórmula 1 é um parâmetro para o desenvolvimento de materiais ultrarrápidos, ultraleves e resistentes a choque. Assim, os materiais e as tecnologias desenvolvidos na Fórmula 1 manterão a transição para a fabricação em série de novos e inovadores automóveis. O uso de materiais novos e inovadores mostra a séria vantagem competitiva que os fabricantes em larga escala obtêm quando aprendem de perto de fabricantes menores, de ponta e inovadores. Mais ainda: os novos processos produtivos. O crescimento de VE e híbridos significa que muitos processos de fabricação estão sendo transformados. A bateria é uma das últimas peças a serem instaladas - uma inversão completa dos processos tradicionais. Para os fornecedores e fabricantes, a automação e os novos processos irão impulsionar sua vantagem competitiva. As fábricas, como a da Tesla que possuem várias estações automatizadas e não uma linha sequencial tradicional, vão se tornar um paradigma. A fábrica da Tesla emprega 3.000 pessoas e 180 robôs altamente versáteis e especializados. A eficiência do processo gera produtividade e menos falhas. Enfim, produtos mais leves, mais rápidos, mais potentes, sempre conectados à internet e mais seguros vão alterar

a compreensão humana do que é um carro. Para fabricantes e fornecedores, isso significa novos direcionamentos, novos processos, novas capacidades e novas estratégias e, quanto mais cedo começar a acontecer, será melhor.

Hayrton R. do Prado Filho hayrton.prado@epse.com.br

Edição 306 - Março de 2018 - 3

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